Como começaram os Fazedores de Café

0
450

Sempre recebi o exemplo de meus avôs e pais da importância de trocar meus conhecimentos para que outras pessoas tivessem acesso às informações e pudéssemos construir, juntos, uma comunidade melhor. Fiz trabalhos voluntários durante anos de minha adolescência e, depois de “gente grande”, não me engajei mais em nenhuma atividade constante.

Apesar de saber que precisava retomar esse trabalho, deixei o tempo passar. Acredito que essas ações realmente funcionam.

Eis que, para reforçar ainda mais essa minha opinião, chega para uma reunião comigo o Diego Gonzalez, engenheiro florestal e proprietário do Sofá Café, acolhedora cafeteria nascida em São Paulo. Diego trazia na “mala” um projeto tentador: criar uma escola de baristas para formar jovens de baixa renda.

O ponto de partida havia sido uma viagem, em 2013, na qual Diego conheceu a iniciativa da Toms, marca de alpargatas criada pelo americano Blake Mycoskie que tem como objetivo doar um par de sapatos igual a cada vendido. A empresa, nascida em 2006, tem o impressionante número de 10 milhões de pares doados em mais de 60 países.

O projeto norte-americano deu um estalo para que Diego desenvolvesse a ideia. Surgiu assim o Fazedores de Café. A missão é simples, porém a execução é complexa: formar jovens baristas em um curso completo de dois meses, com aulas diárias pela manhã, para que, depois, por mais um mês, esse profissional faça estágio em cafeterias parceiras e seja inserido no mercado de trabalho.

Para colocar a ideia em prática, Diego encontrou uma turma engajada no Sofá Café. Com a entrada da barista Regina Machado para ministrar o curso, eles foram costurando as parcerias.

O Sofá Café e os parceiros do projeto apresentaram oficialmente o Fazedores de Café em um encontro.

Todos os presentes ficaram encantados com a proposta, que é uma semente produtiva – num mercado tão carente de baristas – e de valorização desse importante profissional.

Faltava o mais importante, os alunos. A primeira turma do curso concretizou-se no início de 2014, com quatro jovens. E a segunda turma, agora no final de 2014, com mais cinco alunos.

Volto então ao Toms. Como que num passe de mágica, aquela marca de alpargatas sentiu o aroma do café do projeto brasileiro.

A empresa norte-americana, em 2014, ampliou o leque de doações e deu início ao Tom Roasting, em que, para cada embalagem de café vendida, eles doam uma semana de água potável para uma pessoa que precisa – no mundo todo –, por meio do programa Water for People.

São quatro tipos de café, de diferentes regiões, que proporcionam 140 litros de água para alguém em algum ponto da Terra.

Hoje são 780 milhões de habitantes que não têm acesso a água limpa. Imagina isso?

O aroma do café abraçou ambos os projetos sociais e mostrou que há imensas possibilidades – em maior ou menor escala – de fazer a nossa parte.

 

Mariana Proença é jornalista e desde 2006 mergulha nas xícaras de café pelo mundo como diretora de redação da Revista Espresso (www.revistaespresso.com.br), eleita a melhor revista do setor no Brasil