Falta de água, políticas de conservação e política externa, tudo junto e misturado!

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O ano de 2014 foi, segundo a Organização Mundial de Saúde, o ano mais quente da história, e tudo indica que 2015 parece ter sido ainda pior. Então vou dar um update com relação a três blocos distintos, Brasil, Europa e Estados Unidos.

No Brasil, nada foi feito em relação à catástrofe que se instalou com relação à falta de água, principalmente no Sudeste, onde residem mais de 40% da população brasileira (IBGE 2010).

No Nordeste, onde estão 14% da população (IBGE 2010), não deveria, mas as pessoas já parecem conformadas com essa realidade nefasta. A segunda parte da fatura chegará em breve: a falta de luz. O apagão é iminente e certo como amanhã vai nascer o sol.

O que acontece no Brasil, além de uma condição climática, é fruto de uma política equivocada com relação ao cuidado com a água: desperdício, falta de controle no consumo de água e de energia, esquecendo que, quanto maior o consumo de recursos hídricos, seja para geração de energia, seja para consumo, essa conta ficará ainda pior.

Enquanto isso, no inverno europeu, a falta de neve acarreta vários fenômenos bastante interessantes.

Os produtores agrícolas estão aproveitando para plantar mais uma safra, mas são sabedores de que a falta de neve no inverno representará falta de água no verão, pois a água é também fruto do degelo.

Porém, nossos amigos europeus não estão preocupados com falta de energia elétrica, porque têm uma matriz energética muito diversificada, fortemente apoiada em energias renováveis, o que vinte anos atrás seria impensável.

Foram realizados fortes investimentos em usinas eólicas e solares por toda a Europa ocidental, e isso já começa a se espalhar também pelos países do leste.

Os Estados Unidos estão nadando no “shale gas”, tão combatido pelos ambientalistas, e usando-o inclusive como política externa – pois, empurrando o preço do petróleo para baixo do valor de U$ 50, começam a inviabilizar a produção de petróleo no Mar do Norte e no pré-sal brasileiro, além de apertar o orçamento de vários desafetos que vivem de vender petróleo caro e armar exércitos antiamericanos.

As agressões ao meio ambiente vão fazendo suas vítimas.

A diferença é que, em alguns países ou bloco de países, estão sendo adotadas políticas de remediação para minorar os efeitos danosos, e em outros, em especial no hemisfério sul, ficamos na retórica viciada e danosa da incompetência, corrupção e evasivas.

Giovanni Alevato é empresário, formado em gestão ambiental pela COPPE-UFRJ.
Adora viajar, cozinhar e, acredite se quiser, trabalhar