Memórias são uma importante parte da vida

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Nos feriados e datas comemorativas celebramos a vida, a família, o amor, a união, a felicidade e também a possibilidade de um novo recomeço, no ano que já vai chegar.

Mas para recomeçar, antes algo necessariamente termina, correto? E então algo novo pode surgir. Nada mais natural.

Todos sabemos que tudo o que vive um dia irá encarar o momento final, mas ainda assim temos tanto medo desse fim que nunca estamos mesmo preparados pra encarar. Por consequência, não estamos preparando nossos filhos para ele, o fim.

Conversando com uma amiga que perdeu a mãe muito recentemente, ela disse que não se aprende nada com a morte dos pais.

Sofrer faz parte

A passar por toda as fases do luto e aprender que ainda assim continuamos vivos sem aquela pessoa amada. Difícil essa tarefa que nos é imposta diversas vezes durante nossas vidas. E se não existe a possibilidade de fugirmos dela, como aprender a lidar com a morte?

E por que falar disso em tempos de Natal? Porque, na minha opinião, é uma fase em que a ausência das perdas se faz imensamente presente – no meu caso, a perda do meu avô, que já faz 23 anos.

Mas voltando no tempo, a primeira perda de que me recordo ter sido bastante dramática em minha vida foi a da minha chupeta, aos 5 anos, acho. Depois perdi brinquedos.

Lidar com as perdas

E perdi ilusões, como o Papai Noel. E a cada perda eu aprendi a lidar com esse sentimento de diversas formas e a respeitar mais os outros em suas formas de luto. E assim a dar e aceitar conforto e desenvolver as capacidades de empatia e generosidade, por exemplo.

Por isso, acho importante ajudarmos nossos filhos a perder, como uma parte da vida. Difícil, mas inevitável. Assim, também aprendemos a dar mais valor ao que ainda se faz presente, e sei que isso é um clichê, mas que vale ser relembrado.

Então, que a gente consiga celebrar com as pessoas mais queridas ainda presentes em nossas vidas não só as alegrias, conquistas e começos, mas também os fins, as perdas, os ciclos de renovação que não pedem nossa permissão para acontecer.

Celebremos a vida das pessoas que passaram por aqui e nos ensinaram algo, nos deixaram seu legado, acreditando que estariam melhorando o mundo com isso. Celebremos nossos bichos de estimação que já se foram, por nos fazerem seres humanos melhores.

Celebremos as melhores memórias de nossas vidas e das dos que amamos, em gratidão pelos ensinamentos e legados. Celebremos a saudade, que não deixa de ser a presença feliz em nossos corações.

Que assim consigamos iniciar um ano novo cheio de gratidão e amor, e que tenhamos leveza para lidar com as perdas, lembrando que muitas vêm trazendo uma oportunidade ainda melhor, não é verdade? Então, um feliz ano novo para todos!

 

Taciana Vaz é formada em Letras e dá aulas de idiomas. Autora do blog namochiladataci.blogspot.com.br