A transposição do rio São Francisco foi usada apenas para fins políticos e desvio de dinheiro, porém era uma medida paliativas, que não solucionam nada o problema da falta de água no Nordeste Brasileiro

Desejado por uns e temido por outros, muito se tem falado a respeito da transposição das águas do rio São Francisco.

Bilhões de Reais arrecadados através de impostos foram aplicados naquela empreitada nos últimos anos – e, “curiosamente”, o orçamento da obra foi alvo de muito desvio e muita corrupção. Mas será que esse projeto irá aliviar a sede e promover o desenvolvimento daquela imensa e árida região?

Desde meados do século passado, a bacia do rio São Francisco tem sofrido com a sanha e o sonho daqueles que veem nela a única saída para acabar com a seca no Nordeste brasileiro.

Em 1945 fundou-se a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), que levou desenvolvimento àquela região e gerou luz para boa parte do imenso Brasil.

Acontece que, no governo do ex-presidente Lula, começaram as obras de transposição do rio São Francisco, e com isso começaram também as críticas ao que seria, de acordo com muitos estudiosos, a “morte do Velho Chico”.

E por que todo esse temor? O São Francisco sofreu várias intervenções ao longo dos anos e hoje tem uma vazão muito menor que no passado – situação a ser agravada com o aumento do consumo, fruto da transposição.

Acontece que lá na foz do rio, na cidade de Piaçabuçu, em Alagoas, as águas do oceano Atlântico já estão invadindo o curso do rio e transformando a água doce em água “salobra”, mudando todo um ecossistema.

Essa tendência tende a piorar nos anos a seguir, sobretudo nos períodos em que tivermos a ação do fenômeno “El Niño”, quando os regimes de chuvas são mais escassos.

A principal função de um rio é a de matar a sede do ser humano, e nisso o São Francisco é evidentemente uma das maiores bênçãos da mãe natureza para os brasileiros.

O temor dos estudiosos e o uso indiscriminado para fins agrícolas e industriais terminarão por matá-lo.

Fica uma reflexão: nos últimos 11 anos, batemos cinco vezes o recorde de temperatura – em 2005, 2010, 2014, 2015 e 2016.

Parece que, quanto mais aparelhos de ar-condicionado instalamos, mais aquecemos o nosso planeta.

Duas soluções – a transposição do rio São Francisco e aparelhos de ar-condicionado –  que podem, ao longo dos anos, se revelar como os vilãs da humanidade.